Coleção
Capa

O QUARTO PATO

de Índigo

 

Sinopse do livro

Fazendo uma releitura de O patinho feio, de Hans Christian Andersen, O quarto pato explora, de forma bem-humorada, a questão da busca da identidade. Desde o nascimento, Raul enfrenta dificuldades e a resistência da família por ser diferente. Quando as exigências para que assuma a identidade de pato se tornam insuportáveis, Raul foge de casa e segue sem rumo em busca de uma outra forma de vida, que ele mesmo ainda não sabe qual é. No caminho, encontra uma perdiz que tem algo para lhe dizer sobre sua verdadeira identidade. Porém, antes que revele o que sabe, a perdiz morre com um tiro de um caçador. Durante dias caminhando, Raul estava morto de fome. Quando enfim encontra comida, vive uma experiência muito significativa, que acaba por revelar quem ele realmente é.

 

Palavras do Autor

Comecei minha trajetória na literatura em 2001 com o livro Saga animal. Desde então escrevi mais de dez livros, muitos deles com personagens animais, como Um dálmata descontrolado e Cobras em compota, que foi vencedor do I Concurso Literatura para Todos, do Ministério da Educação. Algo que me interessa muitíssimo são as fábulas. Em O livro das cartas encantadas, eu inventei uma correspondência entre Branca de Neve, Cinderela e Bela Adormecida. Agora, em O quarto pato, pude juntar o formato de fábula com meu tipo favorito de personagem! Quack quack!

 

Ficha técnica

 

Proposta de trabalho

 

ANTES DA LEITURA


1. Lembre os alunos de que a Coleção Confabulando apresenta fábulas contemporâneas, ou seja, textos clássicos transpostos para a realidade dos nossos dias. Explique a eles que a fábula é uma narrativa curta, que apresenta, via de regra, uma moralidade ao final: essa moralidade, em última análise, é um provérbio, uma máxima reveladora de uma visão de mundo estática, que expressa o senso comum. De modo geral, os personagens são animais que assumem comportamentos humanos, revelando questões relacionadas às relações éticas, políticas ou de comportamento.


2. Apresente o livro aos alunos e explore as imagens da capa, bem como o título. Incentive-os a imaginar quem seria este quarto pato. É um pato que está em quarto lugar? Diga que a obra é uma releitura da história “O patinho feio”, de Hans Christian Andersen. Relembre, brevemente, a história com os alunos, questionando-os a respeito do que sabem sobre o texto.



DURANTE A LEITURA


1. Levante questões que facilitem a interpretação do texto. Em que local se passa a história? Como era o Sítio Primavera? Observe com os alunos a ilustração das p. 4-5: o que ela sugere a respeito desse local?


2. Questione a turma sobre o começo da história: que evento acontece envolvendo D. Jandira e Doutor Jânio? Como foi o nascimento dos filhotes? Os três primeiros eram patos comuns, iguais aos outros da espécie. O quarto ovo, porém, não rachava. Quando rachou, quem saiu da casca? Como ele foi recebido pelos pais? Leve os alunos a notarem a forma como o tempo/clima é descrito no nascimento dos três primeiros filhotes e no nascimento do quarto. Explore com eles esta estratégia na construção da narrativa, que prenuncia o conflito que virá na sequência. O tempo vira: o sol cede lugar a um céu carregado. A narrativa também revela uma mudança, algo inusitado acontece.


3. Quais eram os sinais de que Raul era realmente diferente? Qual foi a sua reação quando o pai quis lhe ensinar a nadar? Que atitude tiveram seus irmãos ao vê-lo tão desesperado na água? Converse com os leitores sobre o comportamento dos três patinhos que estavam brincando à vontade no lago. Qual a opinião do grupo sobre a forma como os irmãos trataram Raul? Neste momento inicial, deixe-os manifestar suas opiniões, sem estabelecer juízos de valor para não cercear a leitura. Embora se possa dizer que eles foram cruéis com seu irmão, alguns alunos podem afirmar que aquilo era só brincadeira, que os patinhos eram jovens, não tinham noção da consequência de seus atos, etc.


4. Por que Raul fugiu? Afinal, que bicho era ele? “Sem pai nem mãe para lhe ensinar as coisas da vida, Raul passou a seguir seus instintos”. Discuta com os alunos sobre os sentimentos e as experiências vividas por ele até descobrir sua verdadeira identidade. O que significa “seguir seus instintos”?


5. Faça questionamentos para explorar o desenrolar do suspense na narrativa. Além de não gostar de água (pode-se inclusive discutir o sonho aterrorizante que ele tem, p. 19), que outros indícios sugerem que ele não era mesmo um pato? Peça aos alunos que encontrem trechos do texto para demonstrar isso. Outro aspecto de manutenção do suspense é a ilustração: é possível enxergar nas imagens que tipo de animal era Raul? Mencione também a fala da perdiz, que anuncia a revelação da identidade e, de repente, ploft, cai morta! Ao lerem essa passagem do texto, que reação os leitores tiveram? Eles acharam que naquele momento o suspense seria desfeito?


6. Ao final, como Raul se descobre “urubu”? O que acontece para que ele tenha esta certeza de sua identidade? Resgate com os alunos a trajetória do personagem, que ao longo da narrativa se sente estranho e não compreende muito bem suas atitudes, e questione o final: como ele se sente ao constatar que não era um patinho branquinho e sorridente, mas sim, um urubu? O que ele finalmente percebe ao encontrar os seus? Qual é a mensagem transmitida pelo livro?



DEPOIS DA LEITURA


1. Muitos contos tradicionais são recriados por escritores contemporâneos com modificações que nos fazem pensar a mesma história sob outros aspectos.

Para que os alunos comparem O quarto pato, da escritora Índigo, com a versão original de Hans Christian Andersen, sugere-se a leitura de O Patinho Feio no livro Contos de Andersen.

Assim como o Patinho Feio de Andersen, Raul, personagem da obra O quarto pato, foi o quarto de uma ninhada de patos e também era motivo de estranhamento e de chacotas.

Na história de Andersen, o pato se descobre um belo cisne, uma ave à qual se atribui um grau de nobreza e muita beleza. Já na história de Índigo, o pato se descobre um urubu, considerado um animal feio e sujo por se alimentar de restos de bichos mortos. Essa oposição entre o urubu e o cisne nos faz pensar a respeito das significações dadas não apenas a esses animais, mas também aos valores que atribuímos àquilo que é diferente.

Aproveite a ideia para conversar com os alunos sobre diversidade étnica e social: existem critérios para estabelecer o que é bonito e o que é feio? Na visão dos leitores, descobrir-se cisne ou descobrir-se urubu faz diferença ou não? É melhor ou pior? Incentive-os a refletir sobre esta questão e a expressar suas opiniões, ressaltando a questão da autoaceitação: Raul se dá conta de sua verdadeira identidade, junta-se aos seus e parte com eles, sugerindo que se aceita como tal.


2. A vergonha da diferença fez com que Raul, o urubu, deixasse o lugar em que morava, assim como o Patinho Feio, de Andersen. A fuga, em ambos os casos, trouxe uma possibilidade de se esconderem dos olhares que os condenavam.

Rorbeto, personagem da obra Um garoto chamado Rorbeto, de Gabriel, o Pensador, tem um nome estranho, gerado a partir de um equívoco do médico que o escreveu, a pedido do pai, que era analfabeto. Um dia, descobre que tem seis dedos na mão direita. Com muita vergonha, só sai de casa com a mão escondida dentro de uma sacola. Porém, quando aprende a escrever, é justamente com a mão direita que faz a letra mais bonita da sala. Os colegas, com a intenção de terem letra bonita, também passam a ir à escola com a mão enfiada numa sacola. Rorbeto lhes conta que a sacola era para esconder a mão e não tinha nada a ver com sua letra. Por fim, o que era motivo de vergonha passa a ser o motivo de orgulho, invejado até pelos colegas, que justificam que, com seis dedos, é mais fácil fazer letra bonita.

Ao fim da história, um trecho bastante comovente: Rorbeto, já grande, ensina o pai a ler e escrever. Percebendo o equívoco cometido ao registrar o filho, o pai lhe pede desculpas. Rorbeto, porém, de modo muito singelo, mostra ao pai que ele não tem motivo para se desculpar, momento em que se percebem a aceitação e o reconhecimento da diferença como algo que não é ruim.

Gabriel escreve todo o livro em versos bem-rimados, dando bastante musicalidade à obra. De formas diferentes, ambas as histórias retratam outros modos de encarar o que, muitas vezes, é considerado feio ou vergonhoso.


3. Ao final da leitura de O quarto pato, o professor pode propor aos alunos que leiam Flicts, de Ziraldo. Esse livro fala sobre uma cor rara que procura o seu lugar no mundo. Flicts busca um local para se instalar, um amigo e um suporte para espalhar seu tom. Solitária e rejeitada pelas tonalidades espalhadas por todos os cantos do mundo, e, por mais diferente que se sinta, a rara Flicts encontra seu lugar, ainda que bem distante do mundo das cores mais conhecidas.

Ambas as obras podem oportunizar ao grupo um momento de autoconhecimento e de identificação com a situação vivenciada pelos personagens e o sentimento de exclusão. Quem nunca se sentiu como Raul? Quem nunca se sentiu deslocado no grupo de colegas ou na própria família? A questão importante é nos descobrirmos e conhecermos tanto nossas qualidades quanto nossos defeitos. É fundamental observarmos o que está ao nosso redor e percebermos que cada pessoa possui suas características e individualidades, que devem ser respeitadas. Aceitando as diferenças, torna-se mais fácil enfrentar as dificuldades.



Colaboração: Ana Cristina de Aguiar Bernardes, Gabriela Szabô, Gilmara Falk Ferreira Brunetto, Jardel Pelissari Machado, Lorena Ostrovski e Luciana Princival Ivankio


 

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